Uma Era de Silenciosos (parte 2 – final)

Em artigo anterior publicado nesta coluna iniciei discussão sobre dois termos com os quais você já deve ter se deparado, em especial no meio organizacional: “Quiet Quitting” e “Quiet Firing”. O primeiro termo se refere a um movimento no qual o colaborador assume uma postura passiva frente ao seu emprego, limitando-se a cumprir exclusivamente as tarefas de sua descrição de cargo e nos menores níveis de desempenho possível, no intuito apenas de não ser demitido. Já o segundo (Quiet Firing) aponta ao movimento em sentido oposto, no qual o gestor desiste de empenhar-se pelo colaborador, passando a não mais contar com ele e nem se dedicar em prover apoio, incentivo ou suporte.

Acontece que o movimento de “não fazer mais do que a obrigação” de ambos os lados tem levado, quase que instintivamente, ao surgimento de um novo fenômeno observado especialmente junto aos mais jovens. A “onda” agora não é apenas fazer o mínimo, mas também evitar ativamente trabalhos que possam chamar a atenção para qualidades e, como consequência, a uma eventual proposta de promoção aos cargos de liderança. Não apenas isso: deixar de buscar/esconder qualificações e certificações que possam levar a cargos de liderança.

Cada vez mais os profissionais estão evitando cargos de gerência e liderança, movimento este popularizado como “Quiet Ambition” (ambição silenciosa, em tradução literal). Apesar de, por um lado, apontar para uma priorização de tempo de qualidade com família e amigos e manutenção da saúde mental em detrimento de uma escalada profissional, por outro lado se encaminha para uma gradativa [ou nem tão gradativa assim] escassez de novos líderes e um gap na sucessão de cargos de liderança e, por consequência, manutenção do funcionamento de diversas organizações fundamentais. E não estou me referindo apenas aos cargos de liderança nas empresas, mas sim em qualquer tipo de organização social em que seja necessário alguém estar à frente de algo ou de outras pessoas.

O ponto que mais me preocupa não são o “Quitting” ou o “Firing”, tampouco o “Ambition”, mas sim a parte do “Quiet”. Parece que transparência, hombridade e ética, sem contar outras tantas qualidades humanas, caíram em desuso. Se você considera que algo não está adequado ou não atende às suas expectativas, traga o assunto para a mesa e vamos conversar sobre. Mas parece que o que está “na moda” é esconder as reais intenções e percepções, e se colocar como coadjuvante no teatro da vida. Meio que postar-se como mero expectador da própria vida passando, esperando que algo mude… aquele algo bem específico que eu espero que mude… mas que só eu sei, e não falo para ninguém. Como esperar algo mude dessa forma?

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