Uma Era de Silenciosos (parte 1)

Em algum momento do ano passado (ou mais para o início deste ano) é bem possível que você tenha se deparado com o termo “Quiet Quitting”, referindo-se a postura na qual a pessoa, deliberadamente, faz “o mínimo necessário” de suas funções na empresa, no intuito de exclusivamente manter o seu emprego e não ser demitida. Apesar da tradução mais comumente apresentada ao público brasileiro seja “demissão silenciosa”, particularmente vejo o termo “renúncia silenciosa” refletindo melhor a ideia central da prática, uma vez que o colaborador assume uma postura passiva frente ao seu emprego, limitando-se a cumprir exclusivamente as tarefas de sua descrição de cargo e nos menores níveis de desempenho possível, sem preocupação com aprimoramento ou melhoria (por vezes, inclusive, evitando contato e feedback de seus gestores).

Como era de se esperar, na sequência surge outro termo de igual teor, mas aplicado à outra parte: o “Quiet Firing”. Assim como no primeiro o colaborador desiste de se empenhar pela empresa e por seu emprego, no Quiet Firing o gestor desiste de se empenhar pelo colaborador e adota uma postura de desinteresse frente à melhoria do desempenho e ao crescimento do colaborador. O gestor não demite o colaborador, mas passa a não contar mais com ele e nem se empenhar em prover apoio, incentivo ou suporte, por vezes inclusive o deixando de fora de novos projetos ou determinadas atividades.

Antes de continuarmos, cabe fazer duas ressalvas. A primeira é que ambos estes fenômenos são antigos e frequentes no ambiente laboral, e de fato não teríamos como definir se primeiro veio o ovo ou a galinha. Ou seja, a cronologia aqui apresentada não diz respeito aos fenômenos em si, mas sim à terminologia aplicada a eles. A segunda é que ambas as práticas não podem ser confundidas com contravenções. Assim como o Quiet Quitting não significa que a pessoa trabalhe mal intencionalmente e nem faça “menos do que foi contratada” (o que poderia levar a uma demissão por justa causa), mas sim que a pessoa deixe de se empenhar em fazer mais e melhor, o Quiet Firing não se trada de criar um ambiente de trabalho insuportável e forçar uma demissão (o que seria enquadrado como assédio moral), mas sim um fenômeno no qual os gestores simplesmente desistem de se empenhar pelo colaborador e seu desempenho, e mantendo com este uma relação restrita ao mínimo necessário para o ambiente de trabalho.

Acontece que, recentemente mais um termo foi cunhado e popularizado principalmente nas redes sociais: o “Quiet Ambition”. Falaremos sobre ele e sobre as percepções e impactos desta Era de Silenciosos no próximo artigo desta sequência. Até lá!

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