No artigo anterior introduzimos a ideia de Líder Especialista, concepção na qual o líder deve dominar todas as áreas relevantes para sua equipe ou organização. Mencionamos, também, que esta proposição é válida e muitas vezes favorece e legitima a autoridade da liderança, especialmente no início de uma organização. Contudo, ainda que o porte da organização permita ao líder ser realmente um especialista em todas as áreas do negócio, isso pode se tornar uma armadilha para a centralização e passar uma imagem de arrogância à equipe (aquela ideia de “chefe sabe-tudo”).
Uma vez lançada a dúvida sobre a posição de líder especialista, e que esta proposição possa, mesmo, ser um mito sobre a liderança, surge a pergunta: mas então, qual é a solução? Afinal, o oposto a ser um especialista é ser um generalista, certo? Por mais estranho que soe, a resposta é sim. Ao menos, em parte.
A atual “cultura da especialidade” afirma que, para se destacar, você deve afunilar ao máximo o seu nicho e tornar-se o maior especialista naquele assunto. E essa concepção não está errada. Tome por exemplo as questões de ordem fisiológica. Antigamente eram direcionadas a qualquer profissional com formação médica. Com o tempo, surgiram especialidades: é uma questão gástrica, circulatória, respiratória, cinética? É cinética, mas dos membros superiores ou inferiores? Mas de qual parcela dos membros inferiores? E por aí vai. Com o tempo você não procura mais um profissional da medicina, mas sim um profissional da medicina, especialista em membros inferiores, mais especificamente da parte do joelho, esquerdo, de mulheres, até 45 anos.
Apesar de ter levado o exemplo ao extremo, não estamos muito longe desse nível de especialidade. E isso é ótimo! Mas você percebe que esse é um exemplo de especialização em nível operacional? Em outras palavras, a especialidade profissional mencionada é de quem efetivamente põe a mão na massa, e não da liderança do setor de traumatologia ou da gerência do hospital. Quanto mais operacional a especialidade, menor é a ação de liderança. Um líder de nível tático ou estratégico precisa conduzir uma variedade de pessoas, com diferentes níveis de habilidades e provenientes de diversas áreas. Lidar com questões contábeis requer uma abordagem e conhecimento diferentes aos necessários para lidar com estratégias de marketing. Por isso a reposta à pergunta foi “ser generalista, mas em parte”. Generalista para saber ao menos superficialmente cada uma das áreas da organização. E se for para ser um especialista em algo, meu caro líder, seja especialista em pessoas, de forma as conduzir a realizarem seu trabalho, esse sim especializado, em sua máxima eficiência e eficácia.